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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A CHEGADA DA GRANDE ABÓBORA


Hoje é celebrado mundialmente o Dia das Bruxas e como um de seus maiores símbolos é a Jack O’Lantern (a abóbora vazia com uma lanterna acesa dentro, com buracos que representam olhos e boca) nada mais natural  que a postagem fosse relacionada a alguma cerveja que levasse a adição de abóboras na sua receita.

Geralmente fabricada sazonalmente pelas cervejarias, o estilo Pumpkin Ale nada mais é que o uso da abóbora de qualquer espécie, em pedaços cortados, como purê ou aromatizante, adicionada no processo de mosturação durante a fabricação da cerveja. A adição de variedades de especiarias também é permitido, como por exemplo canela, noz moscada, cravo e gengibre. Na verdade o uso da abóbora enquadra a cerveja à categoria de Spice/Herb/Vegetable Beers, ou seja, uso de especiarias, ervas, legumes ou vegetais, que são adicionados a um determinado estilo, a fim de temperar a cerveja, acrescentando novas sensações a ela, mas sem sobrepujar o estilo original proposto. 


A Sauber Beer Pumpkin Ale é uma das pioneiras do estilo no Brasil. Seu estilo base é uma English Pale Ale e é fabricada pela artesanal Sauber Beer, de Mogi Mirim-SP, que produz também mais de 15 estilos de cerveja, sendo o estilo com abóbora o mais vendido e também o mais trabalhoso pro cervejeiro fazer, devido ao cansativo processo de filtragem e clarificação pelo qual esse tipo de cerveja passa. Vamos a ela:

A Sauber Beer Pumpkin Ale, veio com uma bonita e chamativa cor, entre um avermelhado e alaranjado, quase um caramelado, além da transparência plena contra a luz e inexistentes bolhas em subida. A espuma levemente bronzeada surgiu sôfrega, de bolhas disformes e com retenção muito baixa, esvaiu tão logo surgiu e terminou com uma fina película. O cheiro trouxe as notas de abóbora e especiarias/condimentos de forma mediana, o ideal. Não pecou pelos excessos e nem também pela ausência. Cheiro de abóbora muito evocado, que remeteu a doce de abóbora com coco. Notas de cravo da índia, canela em pau e gengibre foram um bom acompanhamento.  A lupulagem foi ausente, já os maltes apareceram com notas mais amenas, mas percebidas de pão, um leve caramelizado, grãos e uma tostagem persistente. O sabor começou bem maltado e doce inicialmente, onde evocou notas de panificação, grãos, um persistente tostado e ainda um residual de caramelo bem suculento.  As notas de abóbora e das especiarias apareceram do meio do gole para o fim, terminando por equilibrarem com os maltes em harmonia. O lúpulo sobressaiu um pouco mais e contribuiu com algum amargor residual, e notas cítricas de abacaxis em conserva, já que os dulçores não eram agressivos e os amargos da tosta e dos condimentos também puxaram mais para esse tom na cerveja. O corpo dela foi baixo e um pouco com sensação aguada, aumentando bastante a drinkability. A carbonatação foi muito alta, frisante e borbulhante, que chegou a pinicar o céu da boca e ocasionar crocância. O fim dela foi doce e médio longo. O retrogosto veio com os condimentos subindo na boca. Cerveja leve, fácil de beber e que manteve as características originais do estilo, uma English Pale Ale.

Sauber Beer Pumpkin Ale - Pumpkin Ale - 4,7% ABV


A cerveja americana Chatoe Rogue Pumpkin Patch Ale possui o diferencial de usar as próprias abóboras plantadas na fazenda da Rogue, que tão logo colhidas, são despachadas pelos caminhões da fazenda à cervejaria, rapidamente assadas e inseridas na brasagem cervejeira. Vale citar que todas as cervejas da Rogue da linha Chatoe Rogue (são 5 cervejas atualmente) seguem a ideologia do GYO – Grown Your Own (plante você mesmo) e não só as abóboras, mas todo o restante dos insumos utilizados na fabricação dessas cervejas, como maltes e lúpulos, por exemplo, são produzidos na fazenda da cervejaria, além do já famoso fermentinho da Rogue, o PacMan Yeast, que é usado também nas demais cervejas deles.

Diferente de outras Pumpkins que costumam apresentar uma coloração alaranjada, cobre, nesta Chatoe Rogue Pumpkin Patch Ale a sua tonalidade foi mais escura e avermelhada. Translucidez absoluta e sem borbulhas aparentes. A espuma de cor bronzeada se formou bem, não foi esplendorosa, mas boa e que segurou bem no topo, baixou devagar e assentou com uma película não de toda fina. O aroma evocou o esperado, com o doce de abóbora bem forte e reinante. Os condimentos, especiarias usadas na receita também se fizeram presentes de forma acintosa, onde foi fácil pinçar o cravo, gengibre e a canela, por exemplo. Não consegui sentir cheiro de lúpulo, já os maltes, senti um pouco de caramelo e um pouco mais forte, o tostado, que me remeteu a café com leite. Conforme ela ficou mais quente saiu um cheiro de coco queimado e lembrou muito doce de abóbora com coco. O sabor seguiu próximo do aroma nas sensações. O doce de abóbora foi notório, complementado pelas especiarias e condimentos que deram algum picante ao conjunto, inclusive persistindo nessa sensação. O dulçor de abóbora junto com um frutado de coco eram imperativos e suculentos, pareceu que estava degustando uma sobremesa de doce caseiro de avó. Novamente não senti bem os lúpulos, mas um amargor herbal mais sentido do meio para o fim do gole. Já os maltes ficaram parecidos com o que o aroma desprendeu, tons de caramelo, algum tostado e ainda mel. Pouco encorpada, mais uma textura média e com alguma maciez, mas que foi quebrada pela carbonatação agressiva e cheia de borbulhas que pinicavam a língua. O fim foi seco e doce, com um retrogosto amargo com um quê de herbal. Embora eu ache que as Pumpkins Ales sejam muito similares, embora ainda tenha que degustar uma gama maior de exemplares, foi agradável sentir de forma intensa a sensação de estar comendo um doce de abóbora caseiro, só por isso ela é mais do que recomendada.  

Chatoe Rogue First Growth Pumpkin Patch Ale - Pumpkin Ale - 5,6% ABV 

E que tal melhorarmos a brincadeira e harmonizarmos as nossas cervejas de abóbora com uma sobremesa de abóbora com coco, daqueles típicos doces caseiros de avó, ou por que não com uma suculenta carne-seca e jerimum?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

OKTOBERFEST 2012, BLUMENAU/SC

Vila Germânica - pavilhão com as cervejarias artesanais blumenauenses - Foto: Aline Santiago
   
“Ein prosit”, a frase em alemão cujo significado instantâneo é traduzido no brindar de copos e canecas, foi uma dos mais falados, cantados e bradados hinos da Oktoberfest de Blumenau, que junto com extrovertidos cânticos como “cuida bem, cuida bem, da sua marreca” e “1 barril de chope é muito pouco pra nós”, além do outro vira copos “zicke-zacke, zicke-zacke, hoy, hoy, hoy”, tornou todo mundo presente, vestidos em trajes típicos germânicos ou não, alemães por um dia.

Concurso feminino de chope a metro

Confesso que achei que a segunda maior Oktoberfest do mundo, que só perde para a original de Munique, fosse me decepcionar pelo seu maior atrativo: o consumo desenfreado de cervejas. Mas não. Claro que deve ter acontecido alguma briga ou confusão aqui e ali, embora a Vila Germânica com seus vários pavimentos tivesse uma mega estrutura, ainda assim a quantidade de pessoas em alguns dias foi imensa e, transitar em alguns lugares era complicado. Mas nada que bom humor, paciência, e a sede por mais chopes artesanais e fome por comidas típicas, não compensassem. Na verdade o resultado final foi a sensação de um evento organizado e muito democrático, seja nas atrações, nas comidas e bebidas oferecidas, opções e ambientes para quem não quisesse ficar na muvuca, e uma infra-estrutura de primeira, seja dentro ou fora do evento – pegar um taxi na hora de ir embora não era nada complicado nem exaustivo.

Eisbein (joelho de porco) mais acompanhamentos

A maioria das comidas típicas já estava previamente feita, era só comprar seu tíquete no guichê e levar nos restaurantes onde as serviam. Vinham quentes, mas não feitas na hora, mas nem tinha como vide a demanda do festival, então isso nunca poderia ser considerado um ponto fora. Para quem não era afeito a pratos típicos como Joelhos de Porco, Marrecos ou Chucrutes, tinha opção nas variedades mais comuns como batatas e peixe (típico prato inglês), batata recheada, dentre outros.

Marreco recheado - Foto: Aline Santiago

As bandas entreteram muito o público com músicas típicas alemãs e muitos sucessos populares da rádio FM, mas o melhor foram as versões das músicas germânicas ou no próprio idioma original, inclusive uma destas bandas era da Alemanha e foi ao menos curiosa a versão no idioma germânico que fizeram da música “Ai, se eu te pego” do Michel Teló.

Bierland Pale Ale - English Pale Ale - 4,8% ABV

E as cervejas, o motivo principal da festa? Claro que a nossa querida cervejinha foi a atração principal do festival. Contando com cervejas da região de Blumenau e com chope Brahma, foi interessante observar o acordo de cavalheiros que imperava, afinal de contas não é em todo lugar que encontramos cervejas de grupos cervejeiros rivais, no caso a Schincariol e a AB-Inbev, com suas respectivas Eisenbahn e Brahma, servidas no evento. Algumas outras cervejas que foram servidas restringem suas produções apenas na região, como as cervejarias Das Bier e Wunder Bier, que por não pasteurizarem suas produções e nem engarrafarem podem ser consideradas exclusivas da localidade, funcionando quase como um brado de “apoie sua cervejaria local”.

Bierland Blumenau - Specialty Beer - 4% ABV

Dentre as cervejarias da região, a Bierland contribuiu com 4 chopes (Pilsen, Weizen, Pale Ale e Vinho), além de sua linha de cervejas engarrafas, menos a Imperial Stout e a Strong Golden Ale. Me agradou o chope Pale Ale, com lupulagem bem fresca e com boa base maltada, além de refrescar e com possibilidade de ser bebida várias. Outra que destaquei foi a Blumenau, o mais novo lançamento deles, uma cerveja que buscou resgatar uma antiga receita feita pelos colonizadores alemãs da região.

Wunder Bier Schwarzbier - Schwarzbier - 4,8% ABV


A Wunder Bier também serviu seus chopes, mas confesso que só bebi um deles e me perdoem a pouca memória, apenas recordo de ver servirem o Lager-Hell e o Schwarzbier, não lembro se também tinham o de trigo e de vinho que também produzem. É uma das que apenas servem a região blumenauense.

Eisenbahn Dunkel - Schwarzbier - 4,8% ABV


Além de experimentar os chopes da Eisenbahn, tive a oportunidade de conhecer seu bar-fábrica. Na Vila Germânica todas as cervejas da linha de 300 ml foram servidas e os chopes disponíveis foram o Pilsen, Dunkel, Pale Ale e Weizenbier. O meu preferido foi o Dunkel, com bem evocados toques de café e tostado. Já no bar da fábrica aproveitamos tudo que tínhamos direito, culinária, visitação a fábrica (que infelizmente restringia-se a ficarmos num pequeno espaço sem podermos transitar por ela, mas agraciados com um chope Pilsen tirado diretamente do tanque maturador), bandinha de música alemã, mas que também tocava forró, e beber muita, muita cerveja e degustar o Bierlikor e a Lust, cuja dose e a garrafa de 750 ml, respectivamente, eram muito baratos se comparados com os preços normalmente praticados em outras regiões do país.

Eisenbahn  Lust - Bière Brut - 11,5% ABV
Eisenbahn - Oktoberfest/Märzen - 6% ABV


Outra cervejaria que recebeu uma visitação foi a Das Bier, localizada no bairro de Gaspar. Funcionando também com um Pesque e Pague no local, que na verdade surgiu bem antes que a cervejaria, o lugar é um espetáculo aos olhos, lindo! Muitos lagos para pesca, muito verde, flores bem cuidadas, uma bela vista mesmo com o tempo um pouco fechado no dia e uma agradável opção para passar uma tarde inteira. A visitação a fábrica foi mais completa que na Eisenbahn, conhecemos seu interior acompanhados do garçom/guia que nos explicou os processos de produção até onde ia o seu conhecimento – o mestre cervejeiro, Seu Antonio, não se encontrava naquele dia na fábrica – mas tudo bem apresentado e explicado. No restaurante, assim como já tínhamos observado na Eisenbahn, as comidas foram fartas e com preços muito bons. Pedimos um kit degustação dos 7 chopes (apenas 5 reais!) e nos fartamos com provolone à milanesa, salsichas alemãs e hackepeter, literalmente comida para um batalhão de ogros. Na saída comprei um sifão/growler de 2 litros com a minha cerveja preferida de Blumenau (que só não foi a que mais consumi na Vila Germânica porque era a mais cara, custava 2 tíquetes), a Stark Bier, cerveja colaborativa feita por 6 cervejarias de vários estados do Brasil e que foi feita no Festival Brasileiro da Cerveja em março de 2012, portanto uma edição limitada.

Das Bier Cervejaria - Foto: Aline Santiago
Pesque e Pague Schmitt - Foto: Aline Santiago
Equipamento da clarificação da cerveja Pilsen




Salsichas alemãs e Hackepeter - Foto: Aline Santiago


Kit degustação dos chopes Das Bier - Foto: Aline Santiago

Quando batia aquela fome de madrugada não tinha lugar melhor a recorrer que o Madrugadão Lanches, um bar/restaurante que fabrica a própria cerveja, na verdade várias. Fui esperando provar sua Doppelbock e Brown Ale, mas por serem sazonais, feitas apenas no período de inverno, não tinham produzido. Como opção tinham a Pilsen, a Pilsen não filtrada e Weizen Rauch, cerveja de trigo defumada. Cervejas muito leves de beber e sem grande destaque, mas que acompanham bem os fartos pratos, petiscos e sanduíches servidos.

Oktobier Rauch Weiss - Rauchbier - ?% ABV
Chopes Oktobier no Madrugadão 

No último dia antes de embarcarmos de volta ainda conheci o München Biergarten, localizado dentro de um shopping e administrado pelo mestre-cervejeiro Rodolfo Rebelo, recém formado na Alemanha, que também presta seus serviços e consultoria a algumas cervejarias da região, como por exemplo a Schornstein, de Pomerode. Seu espaço é abastecido com os Chopps Pilsen, Weiss, e Escuro, de uma cervejaria de Criciúma, a Strauss Bier.

München Biergarten - Shopping Neumarkt


Strauss Chopp Escuro - Bock - 5,8% ABV




E por último foi a vez de conhecer o Museu da Cerveja. Com um acervo contando com antigos equipamentos usados em produções de cerveja além de outras várias relíquias, como coleção das primeiras garrafas da Eisenbahn e uma chopeira no formato dos pinguins da Antarctica. Também foi exibido um curta-metragem mostrando todas as cervejarias artesanais da região de Blumenau.


Garrafas e antigos rótulos da Eisenbahn, e outros souvenirs


Chopeira usada nas primeiras festas da Oktoberfest
"Burrinho": da maturação para a filtração

Chopeira da Antarctica

Encerro essa (longa) postagem com a análise da Stark Bier, minha preferida do festival. Uma cerveja do estilo Strong Scotch Ale e que por levar adição de rapadura na receita, a Das Bier a classificou como “um chope de raízes escocesas com um toque tupiniquim”:

O líquido da Stark Bier veio com cor castanha de quase tom mogno, fechada e turva, com reflexos avermelhados contra a luz. A espuma cor bronzeada, bege, criou um colarinho cremoso e rijo que caiu sonolentamente e deixou camadas de sujeira. O cheiro veio com um dulçor intenso no início com alta e rica maltagem que agregou tons achocolatados à cerveja, desde nuances de cacau, chocolate ao leite e até toques de chocolate amargo e escuro. A rapadura, utilizada na receita, foi plenamente sentida. Toques amadeirados e cheiros de sementes comestíveis como castanhas e avelãs, e ainda algum amendoado. Muita esterificação de frutas escuras e secas, com muita uva passa e ameixa, e insinuações de frutas vermelhas/silvestres. O álcool foi equilibrado e quase imperceptível no aroma. Muita presença de caramelo, toffee, biscoito waffer e grãos torrados. Leve defumação e toque turfado. A lupulagem percebida, embora não acintosa, apareceu com tons herbais e verdes, afora um leve cítrico de laranja caramelizada, queimada. Aroma complexo, rico. O sabor deu prosseguimento no já advindo pelo aroma, com a presença do biscoito doce, da rapadura e da bem latente esterificação das frutas escuras e secas (passas e ameixas). Muito caramelo e toffee. O álcool foi mais agressivo, picante, acalentador, amargo e mentolado, que deixou resquícios de ervas na boca. A tostagem também deu tons amargos ao paladar. Sabores de chocolate ao leite e uma leve defumação de carne de porco, mas sutil. O corpo foi cheio, nem grosso nem licoroso, mas com pompa e um pouco de peso. A carbonatação foi baixa e praticamente nula. A lupulagem surgiu mais ao final do gole, com herbal de ervas temperadas e picantes bem persistentes, cítrico de grapefruit com amargor característico. O final se apresentou doce e alcoólico, retrogosto amargo da lupulagem. Excelente cerveja colaborativa, que perde um pouco em drinkability, mas ganha muito em complexidade e personalidade.

Das Bier Stark Bier - Strong Scotch Ale - 8,3% ABV

sábado, 20 de outubro de 2012

QUEREMOS O “TARADÃO” NA WÄLS ASSISTINDO A BRASSAGEM DO GARRETT OLIVER!

A cervejaria mineira Wäls, em parceria com a distribuidora de bebidas Beermaniacs, vai trazer ao Brasil o mestre-cervejeiro da Brooklyn Brewery, Garrett Oliver, a fim de realizar uma brasagem conjunta com a Wäls e que será assistida por um felizardo escolhido entre eles via Facebook. Para participar basta curtir as fan pages das respectivas marcas e enviar uma foto comprovando o motivo de ser digno dessa honraria.


Eu gostaria muito de ser esse felizardo para, além de acompanhar de perto o início de uma leva cervejeira numa cervejaria artesanal, fugindo do âmbito que me é mais comum, a produção de panela, mas também por ter o prazer em conhecer um dos figurões do meio cervejeiro mundial, Garret Oliver, que além de ser o responsável pelas receitas das cervejas da Brooklyn, uma das melhores que temos importadas pro Brasil, diga-se, é autor de importantes livros responsáveis pela disseminação da cultura cervejeira no mundo, como por exemplo, o The Brewmaster’s Table (já traduzido no Brasil como A Mesa do Mestre-Cervejeiro), um marco na difusão da cerveja como bebida gastronômica e um excelente guia para quem busca dicas de harmonização com comida. Portanto qualquer apreciador e entendedor de boas cervejas se sentiria imensamente feliz por estar ao lado desse cara, porém não sou eu a pessoa mais indicada para estar ao lado dessa sumidade.

Daniel Conde Perez, conhecido como o Taradão da Brassagem, não possui essa alcunha à toa. Diretor financeiro do blog A Volta ao Mundo em 700 Cervejas (http://700cervejas.blogspot.com.br/), membro da ACervA Carioca e um dos diretores da Regional de Niterói, o “taradão” não perde uma brassagem realizada pelos cervejeiros de panela da associação. Ele está presente em todas, que comumente são anunciadas no nosso grupo de discussão, e seja ele chamado para participar ou não, ele vai. Curiosamente alguns membros já disseram que o viram em 2 brassagens ao mesmo tempo em lugares distintos, tornando o cara uma figura onipresente. Ele sim é a pessoa mais indicada para fazer essa tabelinha com o Garret. Apesar da pouca idade, apenas 23 anos, além de participar de várias brassagens dos colegas cervejeiros e de ter se especializado em alguns cursos sobre, ele também já fez sozinho duas levas de cervejas, uma Blond Ale e uma American IPA. A primeira ficou boa para uma primeira leva onde muitos costumam tornar sua bebida intragável devido erros resultantes da inexperiência. Já a AIPA, que foi provada por muitos membros no dia do seu aniversário, ficou excelente, redondinha e muito condizente com o estilo. Portanto é um cara que busca o saber, mas que também já tem muito conhecimento sobre o assunto.

montagem: A Perua da Cerveja

A campanha já foi lançada: QUEREMOS O “TARADÃO” NA WÄLS ASSISTINDO A BRASSAGEM DO GARRETT OLIVER! E você também que quiser contribuir divulgue nas redes sociais essa campanha e, juntos, façamos um tarado (do bem) feliz!

desenho: Cazé Napier
desenho: Manoel Felix

desenho: Cazé Napier

domingo, 7 de outubro de 2012

WORLD BEER AWARDS – CERVEJAS DE TRIGO



Continuando com a degustação de algumas cervejas campeãs do World Beer Awards de 2012, dessa vez entrando na categoria das Cervejas de Trigo. Dentre as premiadas eu possuía apenas três cervejas armazenadas no meu estoque, todas elas bem distintas entre si, mas que juntas fazem um bom apanhado de escolas cervejeiras do mundo sendo inclusive originais dos próprios países, que são a Alemanha, Bélgica e Estados Unidos, respectivamente.

A Weihenstephaner Vitus (melhor Cerveja de Trigo do mundo, melhor Cerveja de Trigo "Forte" do mundo e das Américas) foi uma das últimas cervejas, data de 2007, criadas pela mais antiga cervejaria (e universidade cervejeira que atualmente possui o maior banco de dados de cepas de leveduras de todo o mundo) que se tem registro no mundo, a alemã Weihenstephan. A união de cerveja nova, mais estilo (Weizenbock) e cervejaria antigos resultou numa das cervejas mais premiadas do WBA desde que o concurso foi criado, inclusive uma vez já ganhadora como a melhor cerveja do mundo. Nesse ano ela abocanhou três prêmios se mantendo novamente como a cerveja hors concour do festival.

Vertida na sua própria taça bojuda e portentosa, feita para ser despejado todo o líquido da garrafa, mas também abstrair toda a gama de sensações advindas, a Weihenstephaner Vitus mostrou um líquido dourado e brilhante, quase de tom alaranjado, totalmente turvo depois de despejar o fermento do fundo da garrafa. Sua espuma alvíssima teve uma formação esplendorosa e criou um colarinho cremoso, rijo, que demorou um bom tempo para cair, quando caiu ficou com aspecto aerado e com camadas fofas sobre o líquido, além de sujar um pouco as laterais.  O aroma veio com a esterificação de banana em primeiro plano, evocando um intenso cheiro da fruta madura. Toques cítricos de laranja, mexericas, foram iniciais e fugazes. Em seguida foi a maltagem que deu as caras, contribuindo com um médio e vigoroso caramelo, aromas de trigo, grãos e panificação, o mel mais em segundo plano e finalização de doce-de-leite. Os ésteres ressurgiram nas frutas, dessa vez as secas e escuras, com agradáveis e leves cheiros de ameixas e mais intensos uva e banana passas. O tutti-frutti e o fenólico do cravo vieram mais amenos frente essa esterificação das frutada – ficaram mais forte conforme ela esquentou, além de atrair toques de frutas cristalizadas. O álcool foi bem inserido e imperceptível. Foi ainda possível perceber um leve caráter de vinho branco. O sabor dela correspondeu ao anunciado pelo aroma. Um início adocicado extraído do fermento assertivo que evocou gostos de banana madura, frutas cítricas e amarelas, frutas cristalizadas e de compota, que deram o tom junto com a também maltagem assertiva, que nesta contribuiu com um caramelo e doce-de-leite suculentos de lambuzarem a boca, toques mais amenos de mel e uma panificação e trigo entremeadas. O álcool dessa vez se mostrou presente, acalentador e picante, mas sem agredir.  Os tons fenólicos, condimentados, foram mais intensos, onde abstraiu cravo, noz moscada e pitada de canela. Leve gosto salgado na boca, além de azedo persistente. O corpo dela foi médio, meio cheio e um pouquinho pesado por causa das proteínas, mas ainda assim fácil de beber como todas as demais de trigo. A carbonatação veio alta, crocante, borbulhante tal qual um espumante. O final dela foi médio longo e doce dos maltes (caramelo, doce-de-leite). O retrogosto veio com uma intensa pegada de cravo. Excelente Weizenbock e que faz jus ao título contínuo. Embora eu seja mais afeito a outra do estilo, a também alemã Schneider Aventinus, pois prefiro uma pegada mais forte das frutas escuras e secas, essa o tem mais no aroma e menos intenso, mas seu equilíbrio e boa intensidade dos ésteres, fenóis e da maltagem, ficou muito equilibrada e atraente, e o melhor que ela ofereceu foi o suculento aroma e gosto de doce-de-leite de lambuzar a boca. 


Weihenstephaner Vitus - Weizenbock - 7,7% ABV

A belga Blanche de Namur (melhor Witbier da Europa), que já havia sido campeã em 2009, veio esse ano vencedora como a melhor europeia do clássico estilo belga de cervejas de trigo, Witbier. Embora seus pares do mesmo estilo sejam muito similares entre si, já que por se tratar de um estilo delicado e leve, não preze pela complexidade e variedade, nela o seu aroma é ligeiramente complexo e com a percepção um pouco maior de sensações, talvez daí tirando o seu destaque e motivo dela ter se sagrado novamente como campeã.

A Blanche de Namur apresentou cor esbranquiçada, com um clarinho tom amarelo que lembrou a cor do remédio Cepacol, muita quantidade de bolhas em subida e com claridade absoluta antes das leveduras interferirem causando turbidez e presença de sedimentos. A espuma, alvíssima, foi formosa e acintosa, com um colarinho inicialmente firme e compacto, mas aerado logo em seguida e fugaz na sustentação, que finalizou criando esparsas bolhas e terminou com uma fina película discreta. O aroma trouxe o esperado para o estilo, agradáveis cheiros de casca de laranja, toques cítricos de limão siciliano e dulçor de doce de casca de laranja da terra. Um toque herbal e picante de sementes de coentro – que persistiu numa sensação mentolada, além de muito dulçor de açúcar. Ainda toques esterificados de frutas amarelas como, por exemplo, nêsperas e acidez/salgado sutil de carambolas. Leve cheiro de figos cristalizados e muito cheiro de leveduras que também deram tons fenólicos que remeteram a cravo. Os maltes contribuíram com um pouco de grãos, uma panificação doce (o aroma lembrou sonho) e ainda um leve tom de mel de laranjeira. Embora de um estilo leve uma boa gama se desprendeu no aroma, causando leve complexidade. O sabor trouxe de início os dulçores de açúcar e o cítrico da casca de laranja. A mesma sensação de frutas amarelas e frutas em compota advindas no aroma. Certa acidez característica e tons salgados. Gosto acintoso das leveduras. Leve a médio amargor herbal, que lembrou o sumo branco da casca da laranja, mais provavelmente advindo, junto com a sensação mentolada e picante, das sementes de coentro e do fenólico de cravo. A maltagem foi baixa e atraiu gosto de pão doce, um pouco de mel e grãos. O corpo é muito leve, sutil, fácil de beber e agradável. A carbonatação é alta e com sensação frisante. Fim muito seco, de residual doce e cítrico. Retrogosto levemente herbal e cítrico de limão. Uma Wit clássica, que vai um pouco além no aroma.


Blanche de Namur - Witbier - 4,5% ABV

A Imperial White (melhor Cerveja de Trigo "Forte" das Américas) faz parte da linha de cervejas extremas da cervejaria americana Samuel Adams, onde o estilo Witbier, originalmente tão leve e refrescante, ficou mais encorpado devido uma maior quantidade dos maltes utilizados e consequentemente ficou muito alcoólica, além de ganhar até em complexidade, devido também utilização na receita de algumas frutas e grande variedade de temperos e condimentos.  Ela é inclusive recomendada para a guarda e dizem que é até aconselhável o fazer, ficando mais amaciada com o tempo que atenuaria todo esse álcool agressivo dela.

A Samuel Adams Imperial White, que faz parte do portfólio da série de cervejas extremas da SA, veio com um líquido de cor alaranjada (cobre), turva e com vasta presença de sedimentos, nuances amareladas contra a luz. Sua espuma levemente bronzeada veio com boa formação inicial, que teve uma mediana retenção, aspecto fofo e aerado, sujando muito os lados. Seu aroma trouxe notas inicialmente cítricas de laranja e grapefruit, bem inseridas e moderadas, envolvidas por notas salgadas e temperadas que remeteu ao queijo cheddar (lembrou Cheetos Tubo) e especiarias, como canela e pimenta, realçadas pelos toques picantes. Conforme volatizou, o álcool liberou aromas de frutas avermelhadas e os ésteres vieram com chiclete tutti-frutti. Além do aroma do álcool os tons florais também deram o tom. O sabor trouxe dulçor inicial de caramelo suculento e pão, seguido por muitas frutas vermelhas, bem vivas, de morangos e cerejas. As frutas contribuíram também com toques cítricos de laranja, abacaxi em compotas e também banana. Notas florais trouxeram um buquê elegante. O amargor veio mentolado e refrescando a boca como um flúor ou enxaguante oral, parecido com menta. Gosto de chicletes sabor tutti-frutti e também sabor menta. As especiarias, condimentos, vieram com toques picantes bem persistentes. Dulçor alto e ditatorial, não possuiu nenhum toque salgado aparente no aroma, que lembrou remédio doce, um xarope. Álcool agressivo e extremamente acalentador. Leve complexidade evidenciada conforme o líquido esquentou. O corpo dela foi licoroso, denso, grosso na boca como uma boa bebida destilada. A carbonatação foi leve, mas foi possível sentir algumas poucas borbulhas na língua. O final dela foi doce de calda caramelizada. Retrogosto alcoólico que esterilizou a boca.  Uma ótima cerveja, mas sem semelhanças com uma Witbier, apenas parecida no picante, do coentro da original, e de pimenta da extrema. 


Samuel Adams Imperial White - "Imperial" Witbier - 10,3% ABV

Nas próximas postagens continuarei degustando demais vencedoras do WBA12, e aproveitando a deixa final da postagem de hoje, outra cerveja da linha Imperial da Samuel Adams será degustada, assim como priorizarei outras americanas na próxima rodada. Até já!

CERVEJAS EM HOLLYWOOD – BROOKLYN LAGER


Filme: Shame (Shame)
Sinopse: Brandon (Michael Fassbender), sujeito bem-sucedido que mora em Nova York e tem uma vida quase perfeita, se não fossem seus problemas para se relacionar intimamente. Sua fuga está no sexo - frívolo, banal, sem pudor, sem concessões. Sua vida fica ainda mais conturbada quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) chega à cidade de surpresa.



O personagem de Michael Fassbender, Brandon, não é um viciado em álcool, muito menos um entusiasta de cervejas especiais. As bebidas entram em cena apenas em momentos de descontração, seja em casa, nos bares e restaurantes que frequenta. Isso fica claro quando, num encontro em um bom restaurante da região de Nova Iorque, ele e sua companhia ficam em dúvida sobre qual vinho pedir para o jantar, já que não entendem nada sobre a bebida. Bem sucedido no trabalho e levando uma vida de conforto, ele tem no sexo o seu vício, seu passatempo, mas o sexo sem nenhuma ligação afetiva, com prostitutas, sexo casual com estranhos, sexo virtual e muita, muita masturbação. Para ele era comum se masturbar nas idas ao banheiro durante o expediente de trabalho. Mas duas coisas abalam sistematicamente sua rotina, a primeira é a visita de sua irmã Sissy (Carey Mulligan), uma pessoa que beira os extremos, o que tem de telentosa cantora (sua interpretação de New York, New York é emocionante) tem de problemática com tendências suicidas. O outro problema na vida de Brandon é sua incapacidade de se relacionar afetivamente, lhe causando uma dor desesperadora na ânsia por ser uma pessoa normal, restando fugir e abraçar sua queda rumo ao sexo sujo e vulgar.

Brandon relaxando enquanto comia sua comida chinesa, assistia a um filminho pornô no computador e bebia sua Brooklyn Lager

A Brooklyn Lager é a cerveja que Brandon consome em apenas uma cena do filme, numa noite relaxante em sua residência. Como o filme traz várias referências a cidade de Nova Iorque, nada mais natural que escolhessem uma cerveja da Brooklyn Brewery, a cervejaria mais famosa de lá e com qualidade atestada ao redor do mundo todo. A Brooklyn Lager é uma das cervejas mais consumidas da cidade, muito benquista pelos nova-iorquinos. Premiada nacional e internacionalmente essa cerveja de estilo de Vienna com cara americana é bem versátil e preza pelos dois mundos, fácil de beber e sem se tornar enjoativa caso bebida aos montes, mas nem por isso insossa, ao contrário, prazerosamente saborosa graças aos maltes assertivos e com aquela pegada muito fresca no aroma, por causa do dry hopping, e muito suculenta, proveniente dos lúpulos americanos.

Brooklyn Lager - Amber/Vienna Lager - 5,6% ABV

Foi uma das primeiras cervejas americanas que bebi, tão logo começaram a ser importadas para o Brasil e também foi a primeira vez que provei uma cerveja que usa lúpulos americanos na receita e fiquei apaixonado pelos tons de frutas cítricas como maracujá e laranja, amargos e resinosos provenientes deles. E não teve jeito, graças a ela e demais da Brooklyn, acabei me tornando um lupulomaníaco.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

WORLD BEER AWARDS 2012 – AS BRASILEIRAS



O World Beer Awards deste ano premiou cinco cervejas brasileiras como as melhores das Américas dentro de suas categorias disputadas onde duas foram além e também conquistaram o prêmio de melhores do mundo nos seus estilos.

Esse concurso inglês que ocorre anualmente é um dos mais conceituados que existem, com milhares de representantes do globo enviando suas cervejas para concorrerem entre as melhores cervejas do mundo, portanto não é pouca coisa essa vitória das brasileiras. Mas também não é nenhuma novidade essa vitória, já que desde 2008, com a Eisenbahn, nossas cervejas começaram a ser premiadas no WBA, mantendo uma constância desde então com tendência a perdurar e aumentar vide o maior número de ganhadoras ano a ano. Claro que o Brasil está apenas no começo dessa notoriedade, engatinhando e ganhando quase como azarão, onde o predomínio de cervejas campeãs ainda é majoritariamente entre as clássicas europeias e as inventivas americanas.

Como eu tinha no meu estoque algumas destas cervejas premiadas, por que não degustá-las devidamente e atestar sua qualidade? Começando com as premiadas brasileiras, a Bamberg Schwarzbier (melhor Dark Lager do mundo e das Américas) se destaca, assim como as demais da cervejaria Bamberg, por ser uma cerveja da escola alemã, assim como todas as outras cervejas de linha da cervejaria – excetuando-se algumas sazonais – e essa “cerveja preta” serve para desmitificar o errôneo consenso popular que cervejas escuras são excessivamente doces, aconselhadas para gestantes ou ainda bons fortificantes principalmente se consumidas tão logo pela manhã acompanhadas de uma boa gemada. Ela também é a prova que uma cerveja não-alemã pode recriar a perfeição um clássico estilo germânico e se bobear ainda melhor que muitas similares de origem.

A Bamberg Schwarzbier apresentou cor castanha escura, que lembrou café, aspecto fechado, mas com alguns reflexos avermelhados contra a luz. Sua espuma bege teve uma criação alta e rija na fixação, aspecto aerado, que caiu com bastante lentidão, não sem antes sujar bastante os lados da taça e se fixar no líquido em camadas. Seu aroma teve uma presença maciça dos maltes, onde sobressaíram os tons tostados e de panificação. Uma evocação média e intensa de casca de pão e pão preto, grãos tostados que trouxeram nitidez de café, e um toque envolvente de castanhas cozidas e que evoluíram para os amendoados. Leve esfumaçado e um sutil alcatrão mais ao fundo. Notas amargas e salgadas advindas da tostagem. Sensação de uma maltagem rica e de leve complexidade. Com o esquentar o café foi ficando mais intenso e ainda mais nítido, além de desprender breves toques de chocolate amargo, chegando ao ponto salivar a boca. Então vamos beber, oras! O sabor começou com a torrefação dominando, mas que deu passagem para alguns dulçores de pão preto e caramelo sobressaírem. Os sabores de alcatrão e café eram intensos e suculentos, ainda mais com a união da esterificação de frutas secas e escuras, com presença de passas e ameixas, além dos toques esfumaçados, resultando numa persistência tostada e quase torrada de defumação, que deixou um fim adstringente. Parecia mastigar bombons trufados com recheio de uvas passas. O corpo é leve e bem fácil de beber e a carbonatação vem média-alta muito borbulhante que chega a pinicar a língua. O fim é seco e um pouco longo, de residual doce e torrado. O retrogosto é impregnado de amargor torrado.
Bamberg Schwarzbier - Schwarzbier - 5% ABV 

A Bierland, também duplamente premiada com sua Vienna (melhor Amber/Vienna Lager do mundo e das Américas), é uma cervejaria que não é tão rija no seguimento de recriar estilos de apenas uma escola cervejeira. Têm cervejas da escola belga, inglesa, alemã e até brasileira, através da recrição de uma antiga receita consumida por colonizadores no sul do país. A premiada Vienna, cujo estilo tem origem austríaca, tem poucos pares ao redor do mundo – o estilo não é amplamente produzido –, e principalmente no Brasil ela não tem muitas concorrentes. Já foi aderida pelos brasileiros e se bobear é o carro-chefe da cervejaria.

A Bierland Vienna mostrou uma cor de intenso acobreado, com vastidão de bolhas que subiram em uníssono até o topo, brilhante e de transparência total, onde se enxergou o outro lado da taça nitidamente. Sua espuma teve formação esplendorosa, tom levemente bronzeado, boa retenção e firme, além de aspecto cremoso, e que deixou camadas de sujeiras nos lados quando caiu. O aroma evocou bem a maltagem intensa e suculenta, onde contribuiu com notas de muito caramelo, calda de açúcar e melaço. Ainda toques de mel e grãos. A tostagem surgiu angariando notas de fumo, mas sem agredir em nenhum momento o conjunto. Frutado de tangerinas foi bem vívido e fresco, vindo da lupulagem mais contida e não agressiva, mas relevante como foi inserida.  O sabor começou com a lupulagem mais intensificada e similar no aroma ao evocar o frutado fresco de frutas cítricas, de destacada tangerina, alguns breves e fugazes toques verdes de ervas pouco picantes e diluídas, além de tons resinosos e persistentes. A maltagem que surgiu em equilíbrio aos lúpulos inicialmente, em seguida ficou mais dominante e veio com os dulçores de caramelos, açúcares e muito pão, relegou a tostagem o papel de deixar um amargor, mas num tom muito bem inserido e não destoante. Soou como uma busca por harmonia o mais plena possível. O corpo foi leve e fácil de beber, com carga média-baixa, capacidade de ser bebida várias sem enjoar, principalmente se aliar isso a baixa carga alcoólica, imperceptível. Sua carbonatação apareceu média a baixa, sem relevância. O final dela foi seco e de residual caramelizado. Retrogosto doce-amargo.  
Bierland Vienna - Vienna Lager - 5,4% ABV

E a última que eu tinha em casa dentre as premiadas brasileiras era a Weizen (melhor Bavarian Hefeweiss - Cerveja de Trigo da Baviera - das Américas), também da Bierland. É uma cerveja de trigo, cujo estilo a maioria das artesanais brasileiras mantém em seu portfólio, já que tem poder de angariar degustadores iniciados, por ser mais palatável e refrescante, ou seja, uma cerveja fácil de beber, mas ainda assim um passo além das cervejas de massa, as Pilsens de boteco.


A Bierland Weizen veio com uma coloração amarelo gema de ovo da roça, turbidez plena e boa presença de sedimentos, devido adição das leveduras depositadas no fundo da garrafa e que fecharam mais sua aparência e agregaram tons alaranjados ao líquido – porém ainda assim foi possível ver a vastidão de bolhas que subiam. A espuma teve uma formação média, sem grande destaque no topo, levemente cremosa, aerada, que caiu de forma média e deixou uma camada de um dedo. O aroma mostrou a boa base dos maltes no início, com agradável cheiro de caramelo, pão e um pouco de mel. Os ésteres frutados de banana e o tutti-frutti apareceram em harmonia com o conjunto e os fenóis de cravo foram aparentes, mas menos em destaque. Um leve salgado ao fundo, mas as notas aromáticas fiéis ao que se pede do estilo, mais suavizada e de pouca complexidade.  O paladar começou também bem agradável e moderado, com notas de muito pão, cereais e até um pouco de tostado. Cresciam no gole o caramelo e o mel. O resultado das leveduras ficou mais encoberto pela maltagem, mas os gostos de cravo e banana estavam lá. Certa acidez característica, além de notas salgadas que vieram entre goles. O corpo foi médio a baixo, leve na possibilidade dessa bebida ser bebida aos montes, mas um pouco cremoso como a maioria do estilo na questão das proteínas do trigo. A carbonatação foi alta e muito borbulhante na boca. O fim dela foi médio seco, um pouco longo, e imperativamente doce. Residual com um pouco de acidez.
Bierland Weizen - Hefeweiss - 4,6% ABV

Vale citar também outras premiadas brasileiras no WBA 2012, mas como não as tinha em estoque, ficam portanto para uma próxima degustação: Baden Baden Golden Ale (Melhor Fruit Beer das Américas) e Baden Baden Bock (Melhor Bock das Américas).

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

BOTANDO CARA NA SUA CERVEJA


Essa dica eu repasso do blog Goronah, do Nicholas Bittencourt (http://www.goronah.blog.br/2011/links/criar-rotulos-e-facil-com-o-labely-e-nem-precisa-saber-photoshop). Foi nessa postagem que conheci o site http://labeley.com/, cuja funcionalidade é ajudar na criação de rótulos de cerveja, servindo perfeitamente para aqueles cervejeiros caseiros que não são muito afeitos a mexer em programas mais rebuscados, como o Photoshop, por exemplo, e preferem usar algo mais simples e prático, mas nem por isso menos funcional.


O site possui um bom banco de dados para rótulos, onde você fica a vontade para escolher o tamanho e cores dos mesmos, podendo adicionar bordas, imagens, flâmulas, cores e pano de fundo, além de poder digitar nomes ou algumas frases e também incluir imagens pessoais, resultando numa rotulagem bastante satisfatória. A imagem pode ser salva no computador ou enviada por e-mail. Uma boa dica é imprimir os rótulos em folhas adesivas, facilitando sua colagem nas garrafas.

Ao invés de usar o site na elaboração de rótulos numa produção de cerveja caseira, o usei primeiramente no meu Chá de Panela, onde rotulei algumas garrafas vazias que funcionaram como decoração de mesa. Acabou resultando num bonito arranjo decorativo onde também poderia ter servido como convite da festa:


Portanto agora você, cervejeiro caseiro, que antes não rotulava suas cervejas por falta de criatividade, que apelava ao programinha Paint por ter medo de mexer no Photoshop ou tinha que implorar ao seu amigo designer para elaborar seus rótulos, saiba que a partir de hoje, com o Labeley.com, os seus problemas acabaram.