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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A CHEGADA DA GRANDE ABÓBORA


Hoje é celebrado mundialmente o Dia das Bruxas e como um de seus maiores símbolos é a Jack O’Lantern (a abóbora vazia com uma lanterna acesa dentro, com buracos que representam olhos e boca) nada mais natural  que a postagem fosse relacionada a alguma cerveja que levasse a adição de abóboras na sua receita.

Geralmente fabricada sazonalmente pelas cervejarias, o estilo Pumpkin Ale nada mais é que o uso da abóbora de qualquer espécie, em pedaços cortados, como purê ou aromatizante, adicionada no processo de mosturação durante a fabricação da cerveja. A adição de variedades de especiarias também é permitido, como por exemplo canela, noz moscada, cravo e gengibre. Na verdade o uso da abóbora enquadra a cerveja à categoria de Spice/Herb/Vegetable Beers, ou seja, uso de especiarias, ervas, legumes ou vegetais, que são adicionados a um determinado estilo, a fim de temperar a cerveja, acrescentando novas sensações a ela, mas sem sobrepujar o estilo original proposto. 


A Sauber Beer Pumpkin Ale é uma das pioneiras do estilo no Brasil. Seu estilo base é uma English Pale Ale e é fabricada pela artesanal Sauber Beer, de Mogi Mirim-SP, que produz também mais de 15 estilos de cerveja, sendo o estilo com abóbora o mais vendido e também o mais trabalhoso pro cervejeiro fazer, devido ao cansativo processo de filtragem e clarificação pelo qual esse tipo de cerveja passa. Vamos a ela:

A Sauber Beer Pumpkin Ale, veio com uma bonita e chamativa cor, entre um avermelhado e alaranjado, quase um caramelado, além da transparência plena contra a luz e inexistentes bolhas em subida. A espuma levemente bronzeada surgiu sôfrega, de bolhas disformes e com retenção muito baixa, esvaiu tão logo surgiu e terminou com uma fina película. O cheiro trouxe as notas de abóbora e especiarias/condimentos de forma mediana, o ideal. Não pecou pelos excessos e nem também pela ausência. Cheiro de abóbora muito evocado, que remeteu a doce de abóbora com coco. Notas de cravo da índia, canela em pau e gengibre foram um bom acompanhamento.  A lupulagem foi ausente, já os maltes apareceram com notas mais amenas, mas percebidas de pão, um leve caramelizado, grãos e uma tostagem persistente. O sabor começou bem maltado e doce inicialmente, onde evocou notas de panificação, grãos, um persistente tostado e ainda um residual de caramelo bem suculento.  As notas de abóbora e das especiarias apareceram do meio do gole para o fim, terminando por equilibrarem com os maltes em harmonia. O lúpulo sobressaiu um pouco mais e contribuiu com algum amargor residual, e notas cítricas de abacaxis em conserva, já que os dulçores não eram agressivos e os amargos da tosta e dos condimentos também puxaram mais para esse tom na cerveja. O corpo dela foi baixo e um pouco com sensação aguada, aumentando bastante a drinkability. A carbonatação foi muito alta, frisante e borbulhante, que chegou a pinicar o céu da boca e ocasionar crocância. O fim dela foi doce e médio longo. O retrogosto veio com os condimentos subindo na boca. Cerveja leve, fácil de beber e que manteve as características originais do estilo, uma English Pale Ale.

Sauber Beer Pumpkin Ale - Pumpkin Ale - 4,7% ABV


A cerveja americana Chatoe Rogue Pumpkin Patch Ale possui o diferencial de usar as próprias abóboras plantadas na fazenda da Rogue, que tão logo colhidas, são despachadas pelos caminhões da fazenda à cervejaria, rapidamente assadas e inseridas na brasagem cervejeira. Vale citar que todas as cervejas da Rogue da linha Chatoe Rogue (são 5 cervejas atualmente) seguem a ideologia do GYO – Grown Your Own (plante você mesmo) e não só as abóboras, mas todo o restante dos insumos utilizados na fabricação dessas cervejas, como maltes e lúpulos, por exemplo, são produzidos na fazenda da cervejaria, além do já famoso fermentinho da Rogue, o PacMan Yeast, que é usado também nas demais cervejas deles.

Diferente de outras Pumpkins que costumam apresentar uma coloração alaranjada, cobre, nesta Chatoe Rogue Pumpkin Patch Ale a sua tonalidade foi mais escura e avermelhada. Translucidez absoluta e sem borbulhas aparentes. A espuma de cor bronzeada se formou bem, não foi esplendorosa, mas boa e que segurou bem no topo, baixou devagar e assentou com uma película não de toda fina. O aroma evocou o esperado, com o doce de abóbora bem forte e reinante. Os condimentos, especiarias usadas na receita também se fizeram presentes de forma acintosa, onde foi fácil pinçar o cravo, gengibre e a canela, por exemplo. Não consegui sentir cheiro de lúpulo, já os maltes, senti um pouco de caramelo e um pouco mais forte, o tostado, que me remeteu a café com leite. Conforme ela ficou mais quente saiu um cheiro de coco queimado e lembrou muito doce de abóbora com coco. O sabor seguiu próximo do aroma nas sensações. O doce de abóbora foi notório, complementado pelas especiarias e condimentos que deram algum picante ao conjunto, inclusive persistindo nessa sensação. O dulçor de abóbora junto com um frutado de coco eram imperativos e suculentos, pareceu que estava degustando uma sobremesa de doce caseiro de avó. Novamente não senti bem os lúpulos, mas um amargor herbal mais sentido do meio para o fim do gole. Já os maltes ficaram parecidos com o que o aroma desprendeu, tons de caramelo, algum tostado e ainda mel. Pouco encorpada, mais uma textura média e com alguma maciez, mas que foi quebrada pela carbonatação agressiva e cheia de borbulhas que pinicavam a língua. O fim foi seco e doce, com um retrogosto amargo com um quê de herbal. Embora eu ache que as Pumpkins Ales sejam muito similares, embora ainda tenha que degustar uma gama maior de exemplares, foi agradável sentir de forma intensa a sensação de estar comendo um doce de abóbora caseiro, só por isso ela é mais do que recomendada.  

Chatoe Rogue First Growth Pumpkin Patch Ale - Pumpkin Ale - 5,6% ABV 

E que tal melhorarmos a brincadeira e harmonizarmos as nossas cervejas de abóbora com uma sobremesa de abóbora com coco, daqueles típicos doces caseiros de avó, ou por que não com uma suculenta carne-seca e jerimum?

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